Outubro Rosa: A vida depois de um cancêr de mama
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outubro rosa - a vida depois do câncer de mama

A vida depois de um câncer de mama

Por Samantha Leal – jornalista

Como tantas outras pessoas, o Outubro Rosa me faz lembrar da minha própria experiência, celebrar a vida e lutar por mais ações que ajudem mulheres a diagnosticar essa doença com mais agilidade. Fui diagnosticada com câncer de mama há três anos e posso  garantir que me sinto uma sortuda. Sorte pode não parecer a palavra mais correta, visto que essa doença é uma das que mais mata mulheres no País. No entanto, me sinto sortuda por vários motivos.

Mas vamos começar do início. Descobri o meu tumor por acaso. Tinha 37 anos, não estava dentro da faixa etária (de 45 anos) recomendada para fazer mamografia regularmente, não tinha nenhum sintoma estranho. Porém, um belo dia o meu marido sentiu um caroço no meu peito, e dos grandes! Fiquei assustada, me perguntando como ele foi parar ali e como nunca tinha sentido.

No dia seguinte fui correndo ao meu ginecologista e ele me passou alguns exames. Mais uma vez a sorte estava do meu lado. Ao invés de marcar os exames por telefone e, provavelmente, esperar um ou dois meses para realizá-lo, decidir ir no mesmo dia pessoalmente na clínica de imagem para já marcar. Estava acompanhada do meu filho Arthur, na época com três anos. Eu estava tão assustada que a atendente da clínica se comoveu com a minha situação e me encaixou para fazer os exames no mesmo dia. E foi naquele mesmo dia que, com o resultado do ultrassom e da mamografia, o ginecologista me encaminhou para uma mastologista. E, assim começou a minha saga em busca de um diagnóstico.

Da descoberta do caroço até o início do tratamento foram três meses. Passei por várias biópsias, uma cirurgia e uma mastectomia total para finalmente definir qual seria o próximo passo. Em todo o processo eu mantive firme, calma e serena. Não sei de onde tirei essa força, mas sou muito prática, resolvi fazer o que tinha que ser feito para acabar com o problema. Tracei uma meta e nem olhei para o lado. Outro fator que me fez segurar a onda foi ver a minha família desesperada. Não ia adiantar muito eu me desesperar também.

Lembro que uma das minhas resoluções foi eliminar tudo o que era ruim da minha vida, além do câncer. Sendo assim, me afastei de todas as pessoas tóxicas, larguei o emprego que me sugava e me estressava em grau máximo, parei de dar importância a diversas coisas. Enfim, escolhi as lutas que valiam a pena lutar.

O próximo passo seria definir o tratamento. Eu estava preparando o meu psicológico para o que estava por vir. Foi aí que o médico me deu a notícia: eu não faria nem quimio e nem rádio, somente tomaria um remédio chamado Tamoxifeno pelos próximos 10 anos. Confesso que, em um primeiro momento, eu fiquei sem reação. Cheguei a me consultar com outro oncologista para confirmar o diagnóstico. Mas era isso mesmo. Segundo pesquisas, pessoas da minha idade, com o tumor daquele tamanho e tipo, sem comprometimento dos linfonodos e com marcadores hormonais de estrogênio e progesterona se enquadram no perfil para tratamento com hormonioterapia. Até saiu uma matéria recentemente sobre essa pesquisa. Isso faz com que milhares de mulheres não precisem se expor à quimioterapia.

Mas, mesmo tomando somente esse remédio, tive que enfrentar muitos desafios. A medicação tem reação e nos primeiros meses me deixou bem caída. Até mais do que os médicos esperavam. Depois de quatro meses, o médico mandou eu interromper o tamoxifeno para investigar por que eu me sentia tão cansada, nervosa e enjoada. E a descoberta foi um susto para todos: eu estava grávida de quatro meses. Engravidei no mesmo dia que parei a pílula e comecei o tratamento.

Mais uma vez a vida mostrando que você não manda em nada. Contra todas as expectativas, mesmo com dificuldade de engravidar e fazendo um tratamento como esse, a vida resolveu me presentear com um filho, que nasceu saudável e sem sequelas. Agora me diz, sou sortuda ou não?

Então, fica aqui o meu recadinho:

  • Faça autoexame e todos os exames antes dos 40 anos, periodicamente;
  • Se você descobrir um câncer, encare a doença de frente, não deixe ela definir quem você é;
  • Mude de vida, seja de cidade, trabalho, alimentação… descarte tudo o que não presta mais;
  • Aprecie cada momento, cada paisagem, cada sorriso;
  • Escolha bem as suas batalhas, não se estresse com o que não vale a pena;
  • Seja feliz!

 

Confira a programação do Outubro Rosa 2018 em Florianópolis

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