Sobre mulheres, educação e empoderamento - Projeto Cora
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Sobre mulheres, educação e empoderamento

Das 55 redações que chegaram a nota mil no último Enem, 42 foram escritas por mulheres. O número corresponde a 76,4% dos textos com pontuação máxima e levanta duas questões importantes: o papel da educação como ferramenta de empoderamento feminino, e a necessidade de fazer com que a formação de meninas e adolescentes resulte em oportunidades equitativas no mercado de trabalho.

Os bons resultados no Enem não deveriam ser surpresa, já que mulheres são maioria no ensino superior no Brasil. Dados do Inep mostram que elas representam 57,2% dos estudantes matriculados em cursos de graduação no país. Mas a disparidade de gênero começa na própria academia, mais precisamente na participação feminina no corpo docente das universidades.

Ao longo de uma década (2006 a 2016), a presença das mulheres entre os professores do ensino superior cresceu apenas 1%, de 44,5% para 45,5%. Ah, mas não devem existir mulheres aptas a ocupar esse espaço… Não é o que os números mostram. 51% dos títulos de doutorado obtidos no país entre 1996 e 2014 foram por mulheres. Ou seja, não faltam professoras qualificadas.

Fora da universidade a situação é semelhante. Ainda que sejam maioria com ensino superior, as mulheres continuam a ganhar menos que os homens. Situação, aliás, que não é exclusiva do Brasil.

Um estudo realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que nos países membros – 35 nações de vários continentes – 50% das mulheres entre 25 e 34 anos tinham ensino superior contra apenas 38% dos homens. A pesquisa apontou também que 80% das profissionais com diploma trabalham, contra 89% dos homens com o mesmo perfil, e que as trabalhadoras ganham, em média, 26% a menos do que seus colegas homens.

A educação como empoderamento

Os números pouco animadores em relação à equidade apesar da formação das mulheres, no entanto, não podem ser encarados com desânimo e sim como motivadores de mudanças e estímulo à educação das meninas.

Em sua passagem pelo Brasil, Malala Yousafzai destacou que “o empoderamento das meninas vem da educação, tem a ver com emancipação”.  Na época, a ativista paquistanesa ressaltou que mesmo em instituições que apoiam a equidade, existem diferenças de comportamento entre meninos e meninas; “eles parecem superconfiantes, acham que sabem tudo, sempre falam o que pensam, se sentem muito à vontade, enquanto as meninas hesitam, não se sentem tão à vontade falando o que pensam. Mas nós temos que acreditar em nós mesmas”.

Extinguir a ideia de que existem áreas de conhecimento mais adequadas para meninos ou para meninas são algumas das medidas necessárias para estimular nas garotas o interesse pela liderança e por todas as áreas de estudo e de trabalho.

No caso das matérias exatas – um dos exemplos mais comuns de disparidade, – um estudo da Microsoft com 11 mil meninas de 12 países da Europa mostrou que as meninas costumam perder o interesse por ciências exatas por volta dos 15 anos sob a influência de fatores como estereótipos de gênero, expectativas sociais, falta de estímulo por parte de pais e professores e falta de modelos a seguir. A mesma pesquisa ainda aponta que seis em cada 10 meninas admitiram que se sentiriam mais confiantes se as ciências exatas empregassem homens e mulheres igualmente.

ONGs como a Inspiring Girls, por exemplo, atuam justamente para ampliar os horizontes profissionais das meninas para que elas se sintam estimuladas e confortáveis a atuarem em cargos e profissões em setores como tecnologia, ciência e engenharia. A organização busca role models – mulheres que atuam em áreas vistas como “mais masculinas” – e as levam para palestras e encontros com meninas de 9 a 15 anos de escolas públicas, apresentando novas possibilidades de carreira, inspirando essas meninas a seguirem profissões em que a desigualdade de gênero ainda existe.

Para as mulheres que já são empreendedoras ou que atuam em cargos de liderança fica o desafio de se tornarem modelos para garotas nas mais diferentes áreas de atuação. E ter visibilidade na mídia é um caminho para inspirar cada vez mais meninas e mulheres a ser quem elas quiserem. Quer saber como o Projeto Cora pode te ajudar nisso? Fale com a gente e saiba como o Projeto Cora pode te ajudar nisso!

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